Lendas

Gonçalo e os pardais

Gonçalo e os pardais

Em data não precisa, no que respeita não só ao dia mas também ao mês e ano, os pais de Gonçalo Pereira, menino em idade de brincar, tiveram necessidade de ir a uma romaria a S.Paio de Vizela, aldeia próxima de sua residência, não só para fazerem algumas compras mas também para venerarem o santo padroeiro. Como, logo de manhã cedo, tivessem posto o milho-alvo na eira para secar visto estar um dia soalheiro, chamaram o filho Gonçalo e incumbiram-no de vigiar o milho para que os pardais e os outros pardais e os outros pássaros não o comessem. Gonçalo prometeu cumprir com as recomendações do pai mas também queria ir à festa. Deixou que os pais saíssem e começou a pensar como é que haveria de ir à romaria sem deixar que os pardais comessem o milho. Pensou, tornou a pensar e sem demoras descobriu como ir à festa. Começou a chamar todos os pássaros que havia por ali e meteu-os todos no alpendre fechando a porta com todo o cuidado. Guardados os pássaros meteu pés ao caminho e foi à festa. Seus pais encontraram-no e ficaram muito zangados por ele ter abandonado o milho na eira à sorte da passarada, apesar de Gonçalo os acalmar e lhes contar e lhes contar o que havia feito. Não acreditaram e sem grandes demoras voltaram para casa. Ao chegarem à eira verificaram que o milho estava muito bem espalhado, muito sequinho e nem um pardal à vista. Estavam todos presos no alpendre. Seu pai pensou logo em apanhar uns quantos para fazer uma refeição mas Gonçalo foi a correr e abriu-lhes a porta dizendo: -Fujam passarinhos. Não ficou um que fosse e, de novo, todos gozaram de liberdade.

"LENDAS DE S. GONÇALO E DE AMARANTE" DE ANTÓNIO PATRÍCIO